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O motorista que salvou a vida de um passageiro

Fábio Marangon deslocava de Cruz Alta a Santa Cruz quando decidiu desviar a rota, pois um passageiro de 80 anos estava infartando.

No dia 24 de maio o motorista Fábio Marangon, de 32 anos, saiu de casa para trabalhar pouco antes das 8 horas. Como faz todos os dias desde que se tornou funcionário da Viação União Santa Cruz, em 2014, ele tinha pela frente um percurso de 234 quilômetros entre Cruz Alta e Santa Cruz do Sul. A viagem, que é feita na modalidade comum, para em dez municípios ao longo do trajeto e costuma levar em torno de 6 horas.

Depois de percorrer cerca de 130 quilômetros, a única coisa diferente naquela sexta-feira era a neblina, que estava forte no Centro-Serra e obrigava Marangon a triplicar a atenção. Mas tão logo saiu de Sobradinho, concentrado na pista, ele soube que algo estava errado quando o cobrador, que havia começado a trabalhar há dois meses, chegou à cabine correndo.

“Ele veio rápido, dizendo que alguém estava passando mal. No início pensei que era alguém com náusea, mas encontrei um lugar seguro e parei o ônibus. Quando cheguei no passageiro, ele estava revirando os olhos, a boca aberta. Estava infartando.” A primeira ideia que lhe veio à cabeça foi chamar uma ambulância, mas o local, há 15 quilômetros do Centro de Sobradinho, não tinha sinal de telefone.

O conhecimento sobre a região ajudou Marangon a pensar em uma outra saída. “Estávamos mais perto de Passa Sete, onde o passageiro mora, mas eu sabia que lá não tinha estrutura e lembrei que Sobradinho tem Bombeiros Voluntários e hospital. Então, perguntei se os passageiros concordavam e voltamos.”

Enquanto retornava para a direção, a emoção tomou conta do motorista. “Eu tive que ter discernimento de que havia uma pessoa que podia morrer, mais outras 30 pessoas dentro do veículo, uma pista tomada pela neblina, um ônibus para manobrar e uma casa de saúde para ir, onde eu não sabia direito como chegar.”

Questionado sobre como conseguiu agir de forma tão rápida, Maragon diz que a profissão ensina. “A minha sensação é de missão cumprida. Se eu não tivesse agido daquela forma estaria com um peso na consciência.”

O DESFECHO

Assim que chegaram ao Hospital São João Evangelista – Unidade 2, o motorista saiu do veículo para avisar os funcionários sobre o que estava acontecendo. Logo em seguida, o cobrador e os passageiros vinham trazendo o aposentado Guiomar Alves Fagundes, de 80 anos. Ele estava sem documentos e Marangon precisou entrar em contato com a Secretaria de Saúde do município para localizar os dados do passageiro e algum familiar.

“Quando ele estava estabilizado, eu avisei a empresa sobre o desvio de rota, porque ela tem um controle muito rigoroso e com monitoramento por satélite. Eu pedi a um funcionário para ficar junto no hospital e quando ele chegou, nós retomamos o itinerário.” A viagem foi finalizada com uma hora de atraso, mas nenhum dos passageiros reclamou. “O apoio deles foi decisivo, todo mundo colaborou. Outra pessoa sensacional foi o cobrador, que apesar de novato, foi muito ágil.”

O cobrador João Pedro Killing e Marangon foram homenageados pela Viação União Santa Cruz em uma reunião especial na segunda-feira de manhã, quando receberam agradecimentos diretamente dos diretores da empresa. “Eles tiveram muita sensibilidade e foram ágeis diante de uma situação de grande risco, e esse fato nos deixou muito orgulhosos”, comentou o diretor-geral Flávio Paskulin.

O paciente

Maragon já conhecia Guiomar, o passageiro, das viagens de ônibus. O aposentado costumava ir para Sobradinho três vezes por semana, e estava retornando para Passa Sete no dia no incidente. Ele mora sozinho na localidade de Pitingal, no interior, e já teve alta. “A gente acaba conhecendo o hábito dos passageiros.

Ele ia para a cidade receber, fazer as comprinhas dele. Um sobrinho dele me procurou no Facebook na segunda-feira para agradecer e contar que estava tudo bem. Seguimos conversando e ele me conta sobre o estado de saúde do Guiomar. Fico muito feliz de saber que terminou tudo bem.”

Uma década de estrada

No domingo da semana que vem, dia 9, Fábio Marangon completa dez anos como motorista e cinco anos na Viação União Santa Cruz. Antes disso, ele chegou a ser microempresário e trabalhou com transporte escolar. Apesar de o caso da última semana ter sido o episódio mais grave, o motorista já tinha se deparado com situações semelhantes no passado. Uma delas foi em 2015, quando fazia uma linha semidireta de Cachoeira do Sul para Santa Cruz. Uma passageira passou mal e ele parou à beira da estrada para socorrer, logo na saída da cidade.

“O curioso é que nesse caso o filho dela havia embarcado ela na rodoviária e seguia logo atrás do ônibus de carro. Quando ele viu o ônibus parado, veio perguntar o que tinha acontecido e pediu para ver quem tinha passado mal. Era a mãe dele.” O rapaz acabou socorrendo a mãe, que não teve nada grave. Há mais tempo, em São Luiz Gonzaga, na Fronteira, Marangon estava parado em uma sinaleira quando um passageiro também apresentou sintomas semelhantes a um infarto. “Mas dessa vez tinha uma ambulância do Samu do outro lado da rua. Eles logo socorreram.”

 

FONTE:GAZ.com/Por: FERNANDA SZCZECINSKI

Matéria publicacada em 01/06/2019
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