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Conheça a história de um pai que cuida sozinho dos 4 filhos depois que a esposa faleceu de tuberculose no RS

Gabriel cuida sozinho dos filhos desde outubro do ano passado. (Foto: Rafael Petry)
Gabriel cuida sozinho dos filhos desde outubro do ano passado. (Foto: Rafael Petry)

O último domingo, Dia dos Pais, foi o primeiro sozinho com os filhos

O despertador toca. São 5 horas da manhã. Ele levanta, sem pensar muito. É preciso organizar as coisas. Sozinho para fazer o necessário. Prepara o café e separa as roupas. Logo os outros vão acordar e nenhum deles pode se atrasar. Um, dois, três, quatro. Filhos arrumados. Todos prontos para a escola. Ele, o pai, faz uma reunião para rezar. A proteção e motivação vem da fé. Os cinco saem de casa. 7 horas. Mais um dia os espera.

Esse é o relato, segundo o chefe da casa, de como são as primeiras horas da rotina da Família Ramos. Gabriel, de 28 anos, é o pai. Vitor, 8, é o mais velho. Logo vem os gêmeos Guilherme e Antôni, de 6, e por último vem o Gustavo, com 4. Eles moram em uma casa alugada. Simples, com dois quartos, no bairro São José, em Ivoti-RS. “Em outubro do ano passado minha esposa faleceu. Eu rezo todos os dias para ter forças, pois cuido dos quatro e da casa”, conta Gabriel. Ele perdeu a companheira, de um relacionamento de 9 anos, para a tuberculose.

No meio das dificuldades, Gabriel pensa na frente. E para frente. “Minha família é linda! Somos fruto do amor e da presença de Deus. E é assim que a nossa vida continua”, diz com um sorriso no rosto e os quatro pequenos em volta. Grudados. Atentos ao que o pai fala ou faz.

O pai

No final do dia, os cinco ficam juntos em casa. Banho, roupa limpa e jantar. Tudo pelos cuidados do pai. “Tem horário para tudo. Para comer, para se divertir. Às vezes a gente se passa e vai até tarde jogando bola dentro de casa.” Nesse momento o ambiente muda. Tiram as cadeiras. Ele desmonta a mesa. A estante da TV é colocada para o lado. Pronto: a sala vira um grande estádio de futebol. Separam os times. Chutes em busca do gol. Comemorações, risadas e abraços. A vitória acaba sendo de todos. “Tem que se divertir junto com eles também. Eu quero que eles levem uma lembrança boa dessa fase”, comenta.

A correria acontece na hora do almoço. Cozinha a carne. Esquenta o feijão. Lembra que o mais velho tem que ir para o banho. Os gêmeos podem arrumar a mesa. O mais novo precisa tomar o remédio. Cuidado para não queimar a comida. Um demora demais no banho. O outro não lembra onde ficam os copos. “Comida já tá pronta?”, questiona o mais novo, Gustavo. Tudo muito rápido. Logo mais um precisa ir para a aula. Mesa pronta. Todos sentados. Vitor faz a oração. Todos querem comer, todos comem juntos.

Ainda tem a parte do tema. Apesar de não ter o Ensino Fundamental completo, Gabriel insiste que eles cumpram com as tarefas escolares. Ajuda como pode. “Hoje eles vão ter que fazer o tema sobre o Dia dos Pais. Vamos ver o que vai sair, mas vou ficar do lado para acompanhar enquanto eles fazem”, relata.

No final, o pai tenta ser exemplo. “Eu tento ter foco, porque eles precisam disso. Assim eles também podem ter objetivos. Eles têm que saber entender o que é o certo e o melhor”.

Trabalho

Por causa dos horários dos filhos nas escolas, Gabriel conta que tem dificuldades em encontrar um emprego fixo. É necessário cuidar dos serviços da casa e ficar junto deles. “Não tenho como trabalhar com carteira assinada, só se pagasse alguém para cuidar deles, mas no fim o dinheiro pesa. Talvez no ano que vem pode melhorar, por causa dos turnos deles nas escolas”. A renda vem de pequenos trabalhos. “Eu sei lidar com mecânica, jardinagem e também sou pedreiro. Me viro como posso, faz 5 meses que não sei o que é ter mais de mil reais em casa”, relata.

Além disso, a ajuda também vem de outros. Na última semana, uma televisão e uma geladeira foram doados. As indicações para trabalhos também ocorrem. “Me indicam para alguns bicos, o que é bom. E tem o coração bom de outras pessoas e a igreja que também nos apoia”.

Dia dos pais

No último domingo, dia 11, o Dia dos Pais foi comemorado em todo o País. Neste ano, foi a primeira vez que Gabriel comemorou a data sozinho com os filhos. Quando questionado sobre isso, a resposta veio com brilho nos olhos. “Meu sentimento? Quero que eles sejam felizes. Um pai, quando vê a felicidade no olho de uma criança e um sorriso profundo não tem problema que supere essa recompensa. Eles são minhas bênçãos!”, comenta emocionado.

Ainda tímidos, os comentários sobre o pai demoram para sair. “O pai faz comida boa! Ele joga futebol com a gente”, conta um dos gêmeos, Antoni. Vitor completa. “O pai é quem a gente ama”.

Gabriel tem o sonho de ser engenheiro, mesmo que atualmente tenha os estudos até o quinto ano. Contudo, agora toda sua dedicação é para a família. “Eu prefiro focar neles. No ensino e nos cuidados. Depois eu me viro. No futuro vai ser bom, com amor e todos sempre juntos”.

Fonte: Diário da Encosta da Serra

Matéria publicacada em 15/08/2019
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