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Paciente de Palmeira das Missões passa por cirurgia inédita no estado para tratar Parkinson

FOTO - Caroline Silvestro
FOTO - Caroline Silvestro

Cirurgia foi realizada no Hospital São Vicente de Paulo de Passo Fundo

Realizado pela primeira vez no Estado e pelo Sistema Único de Saúde (SUS), um procedimento cirúrgico promete melhorar a qualidade de vida de uma paciente de Palmeira das Missões, que convive com as dificuldades causadas pelo Parkinson. A cirurgia ocorreu na última semana, no Hospital São Vicente de Paulo, de Passo Fundo, beneficiando Ana Maria Padilha Delasanta, 60 anos. Ela foi diagnosticada há oito anos com a doença e os medicamentos tradicionais já não faziam mais efeito.

Conforme a filha da paciente, Juliana Delasanta, a mãe sempre foi ativa, mas viu a qualidade de vida diminuir muito ao longo dos anos. “A mãe sofria muito com tremores porque além de não conseguir fazer as coisas, ela ficava cansada, com dor, já não conseguia mais dormir”, destacou. Mas, com o avanço da medicina neurológica, a cirurgia de Estimulação Cerebral Profunda (DBS), surge como uma opção na vida desses pacientes.

O neurocirurgião do Corpo Clínico do Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) de Passo Fundo, Diego Dozza, junto do neurocirurgião Alexandre Reis, do Hospital Moinhos de Vento de Porto Alegre e a equipe de Enfermagem foram responsáveis pela cirurgia, que teve duração de cinco horas.

O procedimento

De alta complexidade, o procedimento consiste em implantar um cateter/eletrodo cerebral em um ponto específico dos núcleos da base, que pode ser em um ou nos dois lados do cérebro, e conectar em um tipo de “gerador” que fica sob a pele do peito. É através deste gerador que o médico programa a intensidade de sinal enviado ao cérebro para controlar os sintomas da doença.

– Há várias medicações e combinações possíveis para o auxílio do tratamento do Parkinson, mas em determinado momento pode ocorrer efeito colateral, falha da medicação ou a própria progressão da doença com outros sintomas de mais difícil controle. É neste momento que surge a indicação da realização da cirurgia”, explica o médico Diego Dozza.

O procedimento minucioso e delicado foi realizado com a paciente acordada, pois com isso, é possível perceber a melhora dos sintomas durante a cirurgia. Ana colaborou com o procedimento respondendo às perguntas dos profissionais. “Durante a cirurgia fizemos os testes com a paciente acordada e ela teve melhora do tremor e rigidez, sem efeitos colaterais. Ela segue na recuperação pós-operatória e em 20 dias o gerador ou “gerador” será ligado”, acrescenta Dozza. “Lembro das perguntas que foram feitas durante a cirurgia.

Indicações

O médico esclarece que a cirurgia não é uma cura da doença, pois a pessoa afetada ainda precisa tomar medicação e manter o acompanhamento multidisciplinar com fisioterapia, fonoterapia. “As principais indicações para a cirurgia são os pacientes com flutuações motoras, discinesias (movimentos lentos), tremor e síndrome da desregulação dopaminérgica. O candidato perfeito para a cirurgia é aquele com menos de 70 anos, com no mínimo quatro anos de doença, que apresentou boa resposta às medicações, sem alteração cognitiva, que apresenta efeito colateral da medicação e que tenha bom entendimento sobre o procedimento”.

A alta hospitalar ocorreu dois dias após a cirurgia.

Sobre a cirurgia

A DBS já existe há 25 anos, com a realização de mais de 80 mil procedimentos em todo o mundo. “O objetivo primário do procedimento é reequilibrar o circuito cerebral através de uma estimulação elétrica seletiva e reversível do núcleo selecionado, melhorando o déficit neurológico e também comportamental. Ou seja, a pessoa vai ficar mais funcional”, detalha Dozza.

Sobre o Parkinson

A Doença de Parkinson é um distúrbio neurodegenerativo do sistema nervoso que causa a morte de neurônios produtores da substância dopamina, que atua regulando os movimentos do corpo, nos chamados núcleos da base do cérebro. Isto, resumidamente, acaba por deixar a pessoa com tremor, rigidez e movimentos mais lentos. Estes sintomas dificultam o dia a dia de quem convive com o problema, impedindo que faça pequenas tarefas, como tomar água, se alimentar, trabalhar entre outros.Por: Josoel SilvestreFonte: Ascom HSVP

Matéria publicacada em 10/09/2019
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