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Nova escavação em busca de túneis nazistas de Ibirubá encontra parede de tijolos subterrânea

Isadora Neumann / Agência RBS
Isadora Neumann / Agência RBS

Estrutura estava dentro de tubulação de concreto que, segundo equipes da Corsan que acompanharam a ação, não faz parte da rede de água ou de esgoto da cidade

Ibirubá está em polvorosa. Depois de décadas de mistério, o município de 20 mil habitantes no Noroeste do Estado acredita finalmente ter encontrado vestígios da existência de túneis nazistas. Bombeiros localizaram nesta terça-feira (1º) uma parede de tijolos erguida dentro de uma tubulação de concreto enterrada a dois metros do solo.

As escavações foram autorizadas pela prefeitura do município, como noticiado pelo colunista Tulio Milman em setembro. A operação desta terça-feira foi montada pela prefeitura após outra escavação feita em agosto ter encontrado uma parede de concreto. Como não havia segurança nem documento do Executivo municipal autorizando expressamente o trabalho, o buraco foi tapado e o suspense permaneceu no ar.

Diante do clamor popular, o prefeito Abel Grave não teve escapatória e nesta terça-feira, às 8h em ponto, dois fiscais da Divisão de Trânsito de Ibirubá fecharam a Rua Flores da Cunha, em frente a praça central da cidade. Logo em seguida chegaram equipes da Corsan, do Corpo de Bombeiros e da Secretaria de Obras. Eles estenderam um fita demarcando uma área de segurança, na qual era proibido adentrar. Pouco adiantou.

Quando a broca de 60 centímetros de diâmetro começou a perfuração em um dos pontos onde testes geológicos apontavam a existência de anomalias subterrâneas, o buraco aumentava à medida que o círculo de curiosos agregava cada vez mais gente.

O Bar do Saci, em frente à escavação, não abriu as portas. Mas o dono do estabelecimento, Adilson Ribas, não quis perder o espetáculo. De casa, a 10 quilômetros de distância, telefonou a um amigo pedindo que ele desviasse a visão da câmera de segurança do bar para o buraco, de forma que ele assistisse tudo do conforto do lar, sem sucumbir ao mormaço que fazia suar a multidão.

Não tardou para a broca alcançar a mesma parede de concreto da incursão anterior. Foi a vez da retroescavadeira entrar em ação, alargando a boca da escavação. Logo se descobriu que tratava-se de uma tubulação de concreto. Nenhuma autoridade local, contudo, sabia do que se tratava. Não era da rede de abastecimento de água, tampouco de esgoto, nem mesmo servia à coleta de água da chuva.

Apesar do esforço dos soldados do Corpo de Bombeiros, que tentaram quebrar o tubo com uma alavanca de ferro, uma marreta pequena, uma marreta grande e uma cortadeira de concreto, a estrutura resistia. Foi preciso mais de 20 batidas com os dentes da retroescavadeira para a parte superior do tubo ceder. Não corria água lá dentro, mas logo subiu um odor pestilento. A pureza do concreto, brilhante, e a resistência do tubo, com cerca de 10 centímetros de espessura, continuava intrigando as autoridades.

— Não é da Corsan. A nossa rede corre do outro lado da rua. Não é de ninguém, nem da prefeitura. Não consigo entender como isso foi parar aí — comenta a gestora da unidade local da Corsan, Lia Denise Timann.

Com a tubulação aberta, continuaram as escavações. Voltou a broca, perfurou mais um pouco. Voltou a retroescavadeira e continuou o serviço. Quando havia condições para descida humana, um bombeiro retornou ao buraco. Bruno Santarém entrou no tubo em direção ao fim da rua, andou alguns metros e voltou. Disse que a tubulação se estendia rua abaixo por vários metros. Ele então seguiu pelo outro lado da tubulação, em direção ao centro da cidade. Caminhou por cinco metros e voltou. Lá debaixo, deu a notícia:

— Tem uma parede de tijolos ali.

Ouviu-se um "óóóó" coletivo. Logo saltou alguém dizendo que já sabia, outro afirmando conhecer origem e destino do túnel, tudo coisa de nazistas, e a assessoria do prefeito, que até então evitava deixar o gabinete diante do risco de a escavação dar em nada, ligou dizendo que ele já podia ir à praça. Houve quem garantisse que um vereador que circulava por ali tinha dois discursos prontos, um para o caso de a operação ser um sucesso, outro se resultasse em fracasso.

Com máscara, lanternas e um tubo de oxigênio preso às costas, Bruno voltou aos subterrâneos. Foram minutos de suspense. Ao voltar, todo embarrado e suado, ele retirou a máscara fez o tão aguardado anúncio.

— Tem túneis. Segue até a parede de concreto, depois dobra à direita e se vai também. O caminho tem cerca de 1,5 metro de altura, todo de concreto e com malhas de ferro trançado por dentro. É uma construção antiga, robusta e bem feita. Em cima da parede de tijolos, de 1,5 metro por 1,5 metro, tem uma laje. Ao lado da parede, tem uma bifurcação que dá para a direita. Eu andei por ali mais uns quatro metros, mas ele segue. Eu fui sempre agachado. Não aconselho ninguém a descer. Mas sem dúvida é um túnel — relatou o bombeiro,

A multidão que se acotovelava ao redor do buraco acompanhava tudo hipnotizada, de olhos estalados. Há túneis nos subterrâneos de Ibirubá. E a cidade vai continuar em polvorosa por um bom tempo. GaúchaZH

Matéria publicacada em 01/10/2019
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