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Um panambiense no Exército Israelense

Hoje contamos a história de Samuel Dutra Felinkoski

"Bem minha história começou na italiana 20 anos atrás, como uma criança normal estudei em varias escolas de Panambi, começando pela creche Futuro Feliz depois passando por algumas outras e meu ensino fundamental boa parte foi na escola Princesa Isabel onde fiz muitos amigos estudei também no Adolfo Kepler e Amarelinho, quando pequeno nunca pensei muito em sair de Panambi muito menos do Brasil, ir morar na “gringa” parecia algo quase impossível um sonho distante, bom minha vida começou a mudar quando surgiu a ideias de sair do Brasil e fazer a “Aliah” (processo de imigração para Israel de descendentes de judeus pelo mundo todo), bom mesmo o sonho de sair do Brasil sendo uma opção possível não e tão fácil como parece, acho que todo brasileiro em algum momento da vida pensou em morar fora do Brasil, mas na realidade não é tão fácil assim sempre tem seus pontos positivos e pontos negativos em uma mudança tão grande na vida de alguém."

Saída do Brasil

"Eu quando sai do Brasil tinha 17 anos, um gaúcho de Panambi de 17 anos que não sabia nenhuma língua além de português, que iria para um país com uma língua completamente diferente uma cultura nem um pouco parecida, somente você seus pais e seu irmão mais novo, fazer uma mudança dessas significa dizer adeus a amigos, família, conhecidos e a tudo aquilo que você conhece, você tem uma data de partida mas não uma de volta, você nunca sabe quanto tempo vai demorar até você poder ver de novo aquele bom amigo, seus avós ou aquele primo que você sente saudade... Tudo isso é normal em uma mudança dessas, chegar em um lugar novo se adaptar e comunicar eram minhas preocupações antes de vir. "

Enfrentar uma nova cultura e um sentimento inexplicável

"No dia em que cheguei em Israel senti algo que nunca imaginei que sentiria, desde o dia em que chegamos fomos acolhidos e recepcionados da melhor forma possível nos fez sentir orgulhosos de fazer parte de um povo assim, nunca me senti rejeitado ou diferente por não ser daqui ou não ter os mesmos costumes, sempre me senti bem aqui como se eu fosse um Israelense normal. O fato de você ser brasileiro em um país fora do Brasil é um sentimento inexplicável, em qualquer lugar que você chegar e falar que é brasileiro as pessoas no mesmo momento vão rir, brincar com você, cantar alguma música brasileira ou algo assim, as vezes quando saio com amigos ou minha família para algum lugar com o velho e "bom chimarrão" na mesma hora que as pessoas veem aquela cuia com uma erva verde e um canudinho elas vem direto perguntar o que é aquilo, pra que serve e como se toma, na maioria das vezes se atrevem a tomar, me sinto orgulhoso de explicar de onde vem esse tal “mate” de como tomamos de como é nossa cultura e que de onde venho as pessoas tomam isso até mesmo no serviço. " 

Cultura do Brasil e sistema Gaúcho 

"Bom uma coisa interessante sobre o povo de Israel, sendo eles judeus ou árabes a grande maioria é que eles têm um grande interesse de aprender sobre a nossa cultura, saber mais e mais, mas nem sempre é fácil explicar, como vou explicar o que é ser gaúcho? Ou que tomamos água fervendo no chimarrão até mesmo no verão? Ou por que não falamos igual às pessoas de outros lugares do Brasil? Essas e outras perguntam sempre são feitas, assim como vemos na televisão sobre Israel, que está sempre em guerra e outras coisas sobre terroristas e tudo mais, grande parte do mundo acha que Israel se resume a isso, assim como o que é visto pela televisão sobre o Brasil, e que estamos em uma festa o ano todo, povo feliz, futebol, carnaval e todas essas coisas representam o Brasil, assim eles formam uma visão do Brasil algo que é mostrado para eles, e assim é que eles acreditam que é viver no Brasil. "

Como me tornei um solado Israelense

"Bom depois de chegar em Israel começou minha vida como israelense, na mesma noite em que cheguei fui para escritórios fazer minha identidade Israelense passaporte e receber a cidadania,uma grande honra para alguém que saiu de uma cidade pequena do interior do Rio Grande do Sul, ter uma dupla cidadania, hoje posso dizer que sou um cidadão israelense tenho os mesmos direitos de todas as pessoas do país e também obrigações, uma delas é servir ao exército israelense. Um ano e meio depois de estar em Israel fui chamado para uma entrevista com o ministério de alistamento em Israel, recebi minha primeira chamada para o exército, em Israel chamado de “tzav rishon”, nesse lugar você recebe uma lista com coisas para levar e se preparar para um dia inteiro de testes e provas sendo elas físicas, psicológicas, conhecimento gerais e provas psicotécnicas. Em Israel antes mesmo de você entrar para o regime militar você ganha um perfil, um perfil em notas que vai decidir para que setor você será enviado, o perfil vai de 0 a 100, dentro dessa nota está avaliado sua condição física, mental entre outras coisas, toda pessoa que quer entrar para o exército israelense é obrigado a passar por essas avaliações, elas vão determinam que tipo de serviço você poderá servir e se encaixar melhor dentro do exército. A grande diferença que vi logo no início é como o exército Israelense se preocupa com seus soldados, estabelecendo a cada soldado uma função em que ele possa exercer conforme suas possibilidades, assim sendo não colocam todos os seus soldados no mesmo treinamento e na mesma posição. O exército israelense acredita que cada soldado tem possibilidades e comportamentos diferentes, por isso nem todos serão tratados e exigidos da mesma forma. O exército israelense é dividido em dois setores, o primeiro setor são os combatentes, dentro do setor de combatentes existem centenas de funções que você pode exercer umas delas são, sniper, fronteira, linha de frente, armamento pesado, operações especiais, entre outras, no segundo setor são soldados treinados para funções fora e dentro da linha de fogo, esses soldados são chamados de “jobnik”, dentro desse setor os soldados são treinados para funções diferentes no combate, sendo algumas delas, estrategistas, oficinas, espiões, disfarce, inteligência, engenheiros, hackers e negociadores, além de outras várias funções que o exército precisa para ser o melhor e mais preparado para o combate. No exército Israelense você tem duas maneiras de se alistar uma delas é ser israelense com cidadania, o que torna obrigatório servir, tanto homens quanto mulheres, outra forma de participar do exército israelense é ser soldado voluntário, milhares de jovens descendentes de judeus se voluntariam todo ano para poder ter a honra de servir nosso exército, todo aquele se serve o exército de Israel se sente honrado por fazer isso, simplesmente não tem como explicar. "

Tempo de serviço militar em Israel

No regime militar israelense todos os soldados que tem cidadania em Israel são obrigados a servir 3 anos, aqueles que são voluntários somente 1 ano e meio, eu como sou cidadão israelense sou obrigado a servir 3 anos. Entrei para o regime militar dia 25 de agosto de 2019 , logo no primeiro dia fui enviado para uma base de treinamento especial para imigrantes de outros países, eu e mais 200 soldados de vários outros países entramos juntos, entre esses 200 soldados 15 países diferentes, mais de 16 línguas, todos juntos com o objetivo de proteger nossa terra amada.

Premiação recebida

"No primeiro mês passamos por treinamentos israelenses, os treinamentos são feitos em segredo para manter as estratégias e leis de comando, sobre eles não estou autorizado a falar ou comentar, mas posso dizer com orgulho que ao final do treinamento, fui escolhido e premiado com o título de “soldado excepcional”. Uma verdadeira honra no meio de tantos soldados ser escolhido pelos meus oficias como soldados destaque, isso só me deu mais motivação a desejar cada vez mais aprender e amar a posição em que estou. Hoje faço 71 dias dentro de 973 dias de regime militar, já com duas premiações de excelência. No momento estou fazendo um curso sobre a língua hebraica e cultura, que me dá muitas mais possibilidades e conhecimento, assim como não sou “discriminado” por ser novo, também não estou no mesmo patamar, por isso tenho que me esforçar mais ainda do que aqueles que nasceram aqui e vivem a mais tempo que eu nessa terra. "

Só tenho em agradecer a oportunidade

Hoje com 20 anos vivo em um país de primeiro mundo, consigo me comunicar em 4 línguas diferentes em um país com uma das tecnologias mais avançadas que existem e sirvo a um exército que amo com amigos do mundo todo, foi uma escolha difícil largar tudo que tinha e começar uma nova vida em um lugar novo, mas isso também te proporciona começar uma nova vida do zero, é uma chance e uma oportunidade de ser quem você sempre sonhou. Só tenho a agradecer a meus pais que tomaram essa iniciativa pensando em nosso futuro e a Deus que fez tudo isso ser possível..."

O que diz as escrituras sagradas

"Então trarei de volta Israel, o meu povo expatriado terá nova sorte, eles haverão de reconstruir as cidades a partir de suas ruínas e nelas habitarão em paz. Plantarão vinhas e beberão do seu bom vinho; cultivarão pomares e comerão do seu fruto.

Assim haverei de plantá-los no seu território, para nunca mais serem desarraigados da terra que lhes outorguei!” Amós cap 9"

..deixo aqui o meu carinho e abraço a minha cidade Gaúcha Panambi!

Por-Panambi News

Matéria publicacada em 10/11/2019
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