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Babá é suspeita de dopar crianças de três anos em Canoas

Imagens de câmera de segurança mostram crianças caídas em condomínio — Foto: Reprodução / RBS TV
Imagens de câmera de segurança mostram crianças caídas em condomínio — Foto: Reprodução / RBS TV

Gêmeos de três anos e 11 meses ficaram três dias na UTI, em Porto Alegre. Ela deve responder por lesão corporal grave, furto de medicamentos e omissão de socorro.

Uma babá está sendo investigada por dopar dois irmãos gêmeos de três anos e 11 meses em Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, com remédios contra a ansiedade. Um exame do Laboratório Central de Saúde Pública do Rio Grande do Sul (Lacen) constatou que havia benzodiazepínicos no sangue das crianças, um medicamento usado como calmante para diminuir a ansiedade.

A babá, que também trabalha como técnica em enfermagem, deve ser indiciada por três crimes: lesão corporal grave, furto de medicamentos e omissão de socorro.

Imagens de câmeras de segurança do condomínio onde moram as crianças mostram cenas em que elas parecem estar desorientadas, sem equilíbrio e sem coordenação motora.

Em dado momento, um dos meninos cai com o rosto no chão. Em seguida, o irmão dele não percebe a grade de ferro e bate com violência.

Tudo isso durou meia hora, enquanto a babá estava sentada no banco da praça. Segundo a polícia, ela percebeu que os gêmeos estavam passando mal e não agiu para socorrer as crianças.

Só depois ela decidiu levá-las para a mãe, dentro de casa. No caminho, uma delas cai novamente e é arrastada pela babá.

Os gêmeos foram levados a um hospital de Canoas. Mas o estado de saúde era tão crítico que os médicos decidiram transferi-los para o hospital Moinhos de Vento, na Capital. Eles ficaram três dias na UTI.

"Um dos gêmeos passou dois dias sem dormir. Teve que ser amarrado, porque estava muito agitado. Via bichinhos, falava muita coisa desconecta. Não conseguia identificar, às vezes, nem eu mesma nem a avó. Demorou um pouco até voltar a ter consciência", recorda a mãe.

No início das investigações, a polícia tentou identificar pessoas que mantinham contato com as crianças e que usavam aqueles medicamentos. A família foi descartada.

As suspeitas recaíram sobre a babá, uma técnica em enfermagem que, à noite, trabalha em uma clínica de recuperação de dependentes químicos. A justiça autorizou busca e apreensão na casa dela, onde foram encontradas mais provas.

No armário, foram localizados sacos plásticos com medicamentos e comprimidos esmagados. Segundo a polícia, é a mesma substância encontrada no sangue dos gêmeos.

A babá foi ouvida pela polícia e confessou que furtou os medicamentos da clínica onde trabalha. Ela disse que os gêmeos teriam pego os remédios da bolsa que ela usava naquele dia. Mas o delegado Pablo Rocha, da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), estranhou a preocupação da mulher com os copinhos que os gêmeos usavam.

"Naquele dois copinhos, foram colocados os medicamentos, esmagados e misturados a um suco que as crianças ingerem. Tomaram suco de uva com o medicamento, não temos dívida disso", afirma o delegado.

Apesar da gravidade, o delegado não acredita que ela tenha tido a intenção de matar.

"Ela trabalhou a semana inteira, estava cansada, conhecia os gêmeos, sabia que são saudáveis e ativas. Ela pensou: 'Vou dar um remédio, ficam dormindo por um período, e eu descanso, me recupero, e amanhã cuido deles'. Penso que ela não teve a intenção de causar toda essa lesão nas crianças, muito menos a intenção de quase matar. Mas o resultado é esse", conclui.

A mãe conta que entrou em desespero quando viu as crianças naquele estado.

"Os meus filhos estavam sem coordenação alguma das pernas, pescoço, fala. Um estava pior do que o outro. E por que que ela não me ligou? Por que que ela não chamou uma mãe? Eles caindo, caindo, caindo daquela forma, podendo ter batido a cabeça. Eu não consegui compreender tudo isso, até agora eu não compreendo tudo isso." G1.com

Matéria publicacada em 28/12/2019
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