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Fragmentos de protozoário que transmite toxoplasmose são achados em barragens e estação de tratamento de água em Santa Maria

Amostras haviam sido coletadas em junho a pedido da prefeitura da cidade. Corsan informou que 'o documento carece de informações técnicas' e que a 'água distribuída pela companhia é tratada e monitorada dentro dos padrões de potabilidade do Ministério da Saúde'.

Fragmentos do protozoário que transmite a toxoplasmose foram encontrados em amostras de água de barragens, reservatórios e da estação de tratamento de água em Santa Maria, na Região Central do Rio Grande do Sul. Essas amostras haviam sido coletadas, a pedido da prefeitura da cidade, em junho deste ano. Mas o resultado só saiu na semana passada.

A prefeitura ainda não divulgou o resultado das análises, mas a equipe da RBS TV teve acesso às informações dos exames. Foram seis amostras positivas: na barragem Saturnino de Brito, na barragem do DNOS, em três reservatórios da Corsan e na estação de tratamento de água na cidade."Em junho, fomos avisados que ia ser feita a lavagem dos reservatórios da Corsan, nessa lavagem, nós coletamos 26 amostras. São bombonas de água para a gente fazer um teste com os porcos, que é onde a gente vai cultivar ali, se tiver protozoário, a gente pegar o protozoário para fazer o teste genético, e descobrir se esse protozoário é o do surto ou é o endêmico normal que tem no Brasil inteiro", afirma o secretário municipal de Saúde de Santa Maria, Francisco Harrison.

"Ficamos com essa água armazenada, e com aquela questão de querer investigar, pra saber se essa água está viável, se a gente está no caminho certo, fizemos um teste chamado PCR, que é uma proteína sensível a fragmentos do protozoário. Não significa, a gente ainda está na expectativa de fazer o teste nos porquinhos, porque a gente pode ter encontrado fragmentos do protozoário, mas não o protozoário. Que o que nos interessa é encontrar o protozoário em algum lugar pra gente poder confirmar de onde vem esse protozoário. Se ele veio da lavagem dos reservatórios, se ele veio de alimentos, de onde veio. E a gente saciar essa vontade da população de saber de onde está vindo, de onde veio", acrescenta o secretário.

Em nota, a Corsan disse que a "água distribuída pela companhia é tratada e monitorada dentro dos padrões de potabilidade do Ministério da Saúde. Em relação ao recente laudo apresentado, cabe destacar que o documento encaminhado à Corsan carece de informações técnicas, as quais foram solicitadas junto ao responsável do laboratório sem êxito".

A Corsan acrescentou que "o mesmo laboratório presta serviços de análises para a empresa, dentro do monitoramento das barragens conforme orientação do Ministério da Saúde, e que ao longo de 18 meses nunca apresentou qualquer anormalidade. Diante disso, informações técnicas dos procedimentos adotados nessas análises devem ser avaliadas." [leia a nota na íntegra abaixo].

O surto de toxoplasmose ocorreu no ano passado em Santa Maria. Foram registrados mais de 900 casos. A situação começou a ser investigada após mais de 100 pessoas procurarem atendimento médico com sintomas que não tinham diagnóstico, entre março e o começo de abril de 2018.

Durante o surto, 12 bebês morreram ainda na gestação e 28 crianças nasceram com a doença.

Segundo o secretário, atualmente, os casos estão estabilizados e não há mais surto de toxoplasmose na cidade.

Mesmo assim, a média de pessoas diagnosticadas com a doença aumentou em relação ao período anterior ao surto. Em torno de 7 pessoas tem a doença confirmada todos os meses. Antes, de acordo com a Vigilância em Saúde, eram apenas 3 pessoas.

Investigação

Depois da confirmação da toxoplasmose em Santa Maria, a população e o sistema de saúde tiveram de se adaptar a novas rotinas. A água da torneira começou a ser fervida antes de ser ingerida. O cuidado também aumentou com as carnes e a lavagem de legumes e verduras.

A principal suspeita levantada para a contaminação foi a água. O então ministro da Saúde, Gilberto Occhi, chegou a dizer, em junho de 2018, que essa era a origem do surto. A declaração gerou polêmica. O prefeito de Santa Maria, Jorge Pozzobon, negou a informação.

Já em março 2019, o secretário de Saúde de Santa Maria informou que água disseminou surto de toxoplasmose. Desta vez, depois da declaração, o governo estadual emitiu uma nota afirmando que o caso continua sendo investigado, ainda sem conclusão.

O exame que verifica a presença do protozoário Toxoplasma gondii não faz parte da rotina das companhias de água no Brasil. Porém, após o surto, a Corsan passou a fazer o teste a cada 15 dias.

Nota da Corsan

"A Corsan informa à população de Santa Maria que a água distribuída pela companhia é tratada e monitorada dentro dos padrões de potabilidade do Ministério da Saúde. Em relação ao recente laudo apresentado, cabe destacar que o documento encaminhado à Corsan carece de informações técnicas, as quais foram solicitadas junto ao responsável do laboratório sem êxito.

A Corsan informa que o mesmo laboratório presta serviços de análises para a empresa, dentro do monitoramento das barragens conforme orientação do Ministério da Saúde, e que ao longo de 18 meses nunca apresentou qualquer anormalidade. Diante disso, informações técnicas dos procedimentos adotados nessas análises devem ser avaliadas.

A Corsan conclui reafirmando que a água que distribui em Santa Maria é de qualidade e pode ser consumida sem receios e ressalta que a população não deve buscar abastecimento de fontes alternativas, mesmo que o produto tenha bom aspecto. Outra recomendação é a manutenção periódica de reservatórios domésticos, o que garante que a qualidade da água produzida na Estação de Tratamento chegue com as mesmas características nas residências." G1.com

Matéria publicacada em 29/12/2019
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