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Baixos estoques de equipamentos de proteção para profissionais da saúde preocupam hospitais e entidades

O preço de caixa com 50 máscaras saltou em média 3.000%, segundo entidades hospitalares Lauro Alves / Agencia RBS
O preço de caixa com 50 máscaras saltou em média 3.000%, segundo entidades hospitalares Lauro Alves / Agencia RBS

Escassez de produtos e explosão de preços dificultam aquisição de itens básicos, como máscaras, que garantem segurança nos atendimentos

Na linha de frente do combate ao coronavírus, diretores hospitalares e entidades que representam casas de saúde no país alertam para os riscos da falta de equipamentos de proteção individual (EPIs) para os profissionais responsáveis por atender a população. Há estabelecimentos com estoques suficientes para, no máximo, um mês e com dificuldades de adquirir novos insumos, devido à escassez de produtos no mercado e à explosão dos preços.

Embora não tenha um controle preciso da quantidade de itens armazenados nem de quanto tempo será possível suportar a pandemia com esse material, a Confederação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos (CMB) - composta por 16 federações estaduais, com mais de 1,8 mil hospitais em atividade — aponta problemas e pede o apoio de autoridades. O presidente da entidade, Mirocles Campos Véras Neto, classifica a situação como "crítica" e teme que acabe por tirar médicos e enfermeiros do front.

Em média, os hospitais trabalham com baixo estoque, considerando alarmante a escassez de insumos no mercado e o aumento abusivo de preços. Equipamentos essenciais, como máscaras, chegam a apresentar variação de 3.000% no preço — destaca Véras Neto.

O salto nos valores, conforme levantamento da CMB, atingiu também luvas de látex, óculos protetores e aventais descartáveis, entre outros itens.

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No Rio Grande do Sul, não é diferente. No Hospital Sapiranga, por exemplo, a diretora-executiva da instituição, Elita Herrmann, relata uma série de obstáculos para adquirir produtos. Segundo ela, há máscaras suficientes em estoque para uma semana.

Estamos em contato diário com fornecedores, que estão restringindo as quantidades e cobrando valores absurdos. Em fevereiro, pagávamos R$ 4,74 por uma caixa com 50 unidades. Ontem (segunda-feira), recebemos uma cotação de R$ 230 a caixa. O que nos preocupa é que agora estão chegando os primeiros casos de internação com esse perfil (pacientes com suspeita de covid-19) na maioria dos hospitais, o que indica que a necessidade dos EPIs aumentará muito no decorrer dos próximos dias — ressalta Elita.

À frente da Federação das Santas Casas e Hospitais Beneficentes, Religiosos e Filantrópicos do Estado, André Lagemann concorda. Ele é diretor do Hospital Ouro Branco, em Teutônia, no Vale do Taquari.

Precisamos de EPIs com urgência e também de testes rápidos (para detecção da doença). Corremos o risco de ter de colocar nosso exército na guerra às cegas, sem as armas adequadas. Isso é suicídio. Na minha instituição, ainda tenho estoque de máscaras para 30 dias. Mas, se tiver um surto de quatro ou cinco casos no município, essa estimativa pode cair para 15 dias — calcula Lagemann.

No Hospital Santa Bárbara, em Encruzilhada do Sul, no Vale do Rio Pardo, o quadro é semelhante. Conforme o administrador do estabelecimento, Celso Teixeira, uma das alternativas encontradas para reforçar as reservas foi produzir máscaras próprias, com a ajuda da comunidade. Além disso, ele afirma que a Câmara de Vereadores decidiu devolver R$ 80 mil aos cofres municipais para auxiliar no combate ao vírus e espera contar com o dinheiro.

Tivemos de cancelar todo o atendimento eletivo (não urgente) por conta dos protocolos (de enfrentamento à covid-19). Estamos atendendo menos pacientes, mas com um custo bem mais alto — sintetiza Teixeira.

Ou seja: em razão das medidas de isolamento social, centenas de procedimentos foram suspensos, o que tem ajudado os hospitais a se preparem para a pandemia, mas também tem causado efeitos indesejados. Com apenas 30% dos leitos ocupados, segundo dados da federação, os estabelecimentos veem a receita cair de forma abrupta.

Felizmente, ainda temos relativamente poucos casos de coronavírus, mas as portas dos hospitais seguem abertas, e a receita de convênios e de serviços privados, que ajuda a equilibrar a remuneração do SUS, caiu drasticamente. Há hospitais com 10% da receita que tinham. E os custos explodiram, em especial dos EPIs. Esperamos que o governo do Estado, em razão da crise, não volte a atrasar repasses — diz Lagemann.

Até o momento, os repasses seguem em dia, mas vence nesta terça-feira (31) o prazo para o Estado depositar a parcela de fevereiro, de cerca de R$ 70 milhões, devida aos hospitais (sendo R$ 40 milhões para Santas Casas e filantrópicos).

Conforme a Secretaria Estadual da Saúde (SES), o depósito ocorrerá até o fim da semana. Para compensar a demora, decorrente de queda na arrecadação, o órgão informa que adiantou R$ 24,8 milhões que seriam pagos apenas no dia 15, pela produção do SUS (isto é, os atendimentos via sistema único).

Segundo a secretaria, os hospitais não sofrerão descontos caso não consigam cumprir as metas contratuais de prestação de serviços. Além disso, a SES destaca que já vem repassando aos estabelecimentos e aos municípios EPIs recebidos do governo federal e de doações (710 mil máscaras e 633 mil luvas desde 23 de março). Só nesta terça-feira, o Estado recebeu 405 mil máscaras e 91 mil luvas, entre outros materiais, todos voltados a profissionais da saúde. GaúchaZH

Matéria publicacada em 01/04/2020
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