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"Não quero voltar para aquele inferno", diz médica sobre Cuba, que decidiu ficar em Santo Ângelo

Com o fim da participação de Cuba no programa “Mais Médico”, a previsão é de que mais de 28 milhões de brasileiros podem ficar sem atendimento. O governo cubano decidiu retirar seus médicos por considerar injustas as condições impostas pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro, que anunciou novas condições para manter a parceria, dentre elas a revalidação do título e a contratação individual dos profissionais.

Diante da decisão, muitos médicos cubanos estão retornando ao seu país de origem. No entanto há profissionais que optaram em ficar no Brasil. Um exemplo disso é a médica clínica geral, Irela Hernandez Rodriguez, de 47 anos. A profissional decidiu ficar em Santo Ângelo e está trabalhando numa farmácia, na zona Norte da cidade. A cubana veio a Porto Alegre em março de 2014, junto com outros 395 profissionais. Na capital ela fez treinamento e provas escrita e práticas de língua portuguesa e também na área da medicina. Concluída essa etapa, Irela veio trabalhar em Santo Ângelo no posto de saúde do bairro Sepé.

Ela lembra que gostou da experiência de trabalhar no Brasil por ser um país em que as pessoas tem a liberdade, diferente de seu país. “Trabalhei no posto de 1º de maio de 2014 até 18 de junho de 2017. Antes mesmo de vencer meu contrato decidi entrar com processo jurídico para um contrato individual para garantir minha permanência aqui. Logo em seguida nós recebemos a informação, de Vivian Chavez, coordenadora da Organização Pan-americana de Saúde (OPAS), de que seria feita prorrogação de nosso contrato por mais três meses.”

INTIMADA A VOLTAR PARA CUBA

O problema de Irela começou quando a coordenadora da OPAS descobriu sobre o pedido de contrato individual feito pela médica. “A coordenadora veio para Santo Ângelo conversar comigo e determinou meu imediato retorno a Cuba. Ela me disse que depois de retornar para Cuba ficaria impedida por 5 anos de sair do país como penalidade do que eu fiz. Afirmei que não voltaria. Então em tom de ameaça me disse que se não retornasse ficaria impedida de voltar ao meu país por oito anos. Segui trabalhando mas passei a não receber meu salário. Fiz contato no site do Ministério da Saúde e soube que a OPAS tinha informado que eu abandonei o programa, o que não era verdade. Resultado: acabei não recebendo dois meses e meio de salário e férias.”

FAMÍLIA

A médica conta que o que mais a deixou triste foi a pressão que representantes do governo cubano fez com sua família. “Estiveram falando mentiras para minha mãe que ficou muito nervosa. Fiz contato pela internet com ela e a tranquilizei, dizendo que estava tudo bem e que não tinha feito nada de errado.”

Emocionada Irela diz que sente saudade de seus pais, Aristide (76 anos) e Mirta (67 anos) e de suas duas filhas, Katheryn, de 27 anos, casada, e Karla, de 17 anos, que vive com os avós. “Um dia sonho em melhorar de vida e trazer para o Brasil a minha família. Não quero voltar para aquele inferno.”

GUANTÂNAMO

Irela é natural da cidade de Baracoa, província de Guantânamo. Há mais de 24 anos atuando como clínica geral, com passagens na Bolívia e Venezuela, antes de vir para o Brasil.

A cubana não se conformava com a condição exploratória de trabalho por parte do governo cubano que recebia por médico R$ 11.520,00 e repassava aos médicos apenas R$ 2.976,00.

CONTROLE DA MÍDIA

Em Cuba o controle da mídia é muito forte e as pessoas são obrigadas a pensar como o governo. Irela diz que o regime tenta mostrar apenas coisas positivas, impedindo que a verdadeira situação do país vem à tona. “Claro que a questão da saúde e da educação é gratuita e um direito de todos. No entanto, não existe liberdade no país onde o governo controla tudo, desde supermercados. Pela iniciativa privada apenas se admite pequenos bares e restaurantes. A médica destaca que apesar de o país oferecer saúde e educação gratuita para todos tem problemas sérios com a falta de medicamentos e alimentaçã. noroesteonline.com

Matéria publicacada em 22/11/2018
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